catarse #1

não sei o que fazer. sinto-me atada por uma vontade indomável de me enterrar com a cabeça debaixo das mantas e esperar que tudo passe. deixar que sejam os outros a decidir por mim ou mesmo, que sejam as circunstâncias da vida a decidir as coisas como elas vão ser e não ter que ser eu a fazer isso. estou cansada de errar, não ter razão, de bater com a cara na parede. se a coisa não correr bem que seja culpa de terceiros e não minha. não sei o que fazer. voltei há uns meses atrás. sinto-me abandonada como no final do ano passado. a saber que tenho que fazer alguma coisa e não me consigo mentalizar que isso inclui voltar ao ínicio. não me sinto capaz de trabalhar como enfermeira. já lá vai tanto tempo. sinto-me estúpida e perdida. sinto que agora precisava de voltar ao bancos da escola e aprender tudo novamente porque não sei nada. deixo ofertas de emprego passar por medo. estou apavorada. pessoas falam de entrevistas e das perguntas que fazem. não sei nada. sentar-me-ia naquela cadeira a balbuciar um rotundo ‘não sei’ o quer que seja que me perguntassem. estou apavorada novamente de ter uma pessoa à minha frente à espera que eu seja uma enfermeira, que faça o que é preciso, que lhe saiba responder às suas dúvidas e eu só me apetecer fugir para casa e chorar profusamente. o medo tomou conta de mim outra vez. nem sequer consigo fazer mais nada. nem sequer concorrer a medicina. parece que estou pregada ao chão. tenho os impressos da ordem britânica e deixo-os estar. tenho medo de me ir embora e não ser capaz. de falhar rotundamente. eu que me auto proclamo como uma mulher lutadora. tenho medo de sair de casa. quero ter as minhas 4 paredes e sentir-me bem dentro delas. e agora que já me sinto está difícil deixa-las e começar tudo outra vez. mas sinto-me presa e sufocada nesta casa, nesta cidade. os anos passaram e está tudo na mesma. cruzo-me com as mesmas pessoas e as de sempre. acabo sempre por ter que me cruzar com os fantasmas do meu passado. apetece-me fugir e deixa-los a todos aqui. tenho as minhas dead lines na cabeça. ‘ok quando pagares tudo o que deves, então aí ponto final. vais embora’ mas parece que nem isso. quero mesmo sentar-me numa esplanada cheia de sol com bons amigos a rir-me e estar tudo bem na vida. deito-me todos os dias a desejar isso e a ver passar á frente dos meus olhos tudo o que me afasta dessa esplanada. voltei a andar com os dentes cerrados em permanência. como se fosse um cão que tivesse que rosnar o meu medo ao mundo. é estúpido pensar que me sinto velha com 25 anos. mas já os tenho e nada para mostrar que tenha feito com a vida. deixo sempre para amanhã fazer aquilo que me vai colocar no caminho da regeneração. de volta ao brightside da vida. com objectivos e planos e com tudo o que preciso de fazer e quando. estou tão cansada de ter sempre algo que me deixe acordada toda a madrugada. eu sei que tudo se vai resolver. eu sei que sim. mas podia ser já amanhã.

escrevi isto a um amigo em abril de 2009. o mais estranho é que há demasiado aqui que ainda é verdade. mas já assumi os medos. e já decidi muitas coisas. não deixei  por conta de terceiros. estou a tomar as rédeas deste caos.

comentários aos molhos

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