se o wikileaks fosse assim é que era.

Estou com medo: será que o WikiLeaks tem provas de que tomei uma bezana em 88 com uma garrafa de Martini – episódio que me afastou para sempre desse glamoroso néctar e das suas possibilidades de sedução? Mais: será que o WikiLeaks sabe e vai divulgar ao mundo que em miúdo era do Belenenses e pedi ao meu pai, com infinito temor, para mudar para o Benfica? Será que amanhã vou comprar o “El País” e topar que se tornou público que já gostei dos Bros e do Climie Fischer e que só depois é que passei para um universo musical, digamos, um bocadinho mais denso ao ouvir “Kiss Me Kiss Me Kiss Me”, dos Cure? E não sou só eu que estou com medo: a vizinhança também está. O filho da Dona Odete, machão encartado, receia que se conheça a sua aventura homossexual aos 17 anos com um primo de Setúbal. O dietista do 2.º esquerdo treme só de pensar que o mundo vai comentar o seu vício das trufas de chocolate belga. O intelectual do rés-do-chão tem ataques de pânico ao imaginar que os seus tertulianos amigos podem vir a perceber que, enquanto lê o seu Zizek, tem a televisão sintonizada no Dr. Oz. Para agravar mais as coisas o Gonçalo Amaral ainda veio comunicar que há um satélite em cima do Algarve e do Norte de África que vai trazer mais provas contra os McCann. A gente pergunta-se: será que não há outros satélites por cima de nós a gravar tudo o que fazemos – para reproduzir mais tarde, em sessões de fazer corar o Zé Carlos do talho? Tenho medo. Tenho muito medo.

nuno costa santos

comentários aos molhos

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