ajudem-me. ohhh vá lá

ando há demasiados meses com esta questão às voltas dentro de mim.

sou muito agarrada aos objectos físicos. todos os que me rodeiam têm uma história, uma pessoa, uma memória associada. tenho uma extrema dificuldade em desfazer-me das coisas. levei anos até entregar todas as figurinhas e merdinhas que tais que me tinham oferecido ao longo dos anos. sabia sempre quem e como e até quando é que me tinham sido oferecidas. o mais estranho? por pessoas que não me dizem nada, que já nem sei onde estão, não mantive o contacto e que na altura as coisas até nem eram mais que pró-forma.

fiz essa selecção. senti-me leve e liberta de memórias que nem sempre seguiam um caminho positivo.

neste momento rodeio-me de objectos que estão ainda na minha vida as pessoas que deles guardo memórias.

as memórias serão sempre  minhas é verdade. mas longe destas coisas já me senti muito nua. tão nua que não me reconhecia e não vivia. limitei-me a passar pelos dias.

sinto necessidade, física e emocional, de me desfazer de coisas. mas depois olho para elas e não consigo fazer grande selecção. olho para 3 velas pequeninas e lembro-me da minha tonelada de chocolates e penso: nunca. nunca seria capaz de me desfazer delas.

mas também me conheço. e sei que se deixar ir a primeira coisa todas as outras vão a seguir.

por isso a pergunta para o milhão de euros é (composta e por partes):

conseguem desfazer-se das coisas e ficar só com as memórias? existem algumas coisas e/ou objectos ligados a pessoas que não se conseguem desfazer? até que ponto é  que seriam capazes de deixar tudo, todos os objectos da vossa vida, para trás e começar do zero?

7 thoughts on “ajudem-me. ohhh vá lá

  1. andre henriques says:

    Também dou por mim rodeado dum pequeno relicário de tralhas e tralhinhas, umas úteis, a maioria nem por isso.
    Já aconteceu um grande desgosto amoroso me levar a colocar numa caixa tudo o que dizia respeito a essa pessoa, mas mesmo assim tenho aquela certeza que esses objectos estão ali, a poucos metros, mesmo que não lhe toque há anos.
    Sim, custa-me imenso desfazer-me do que quer que seja, até de revistas com 10 anos, porque penso que talvez um dia quisesse olhar para trás e folheá-las, coisa que nunca acontece. Fica sempre aquela vontade de libertar-me duns quilos de papel, mas fica sempre “para depois”.
    Sei que libertando-me destas tralhas, rapidamente virão outras substitui-las e até algumas que me pareceram outrora fundamentais estão agora num armário, colocadas durante umas mudanças e nunca mais o abandonaram.
    Sim queria poder libertar-me de muita bagagem, mas acho que só será possível quando me mudar para alguns milhares de kms de distância.

  2. clara says:

    tudo. livrei-me de tudo quando tive de passar de uma casa de 120 m2 para uma de 60 m2. um alívio. as coisas não nos trazem nada. as pessoas importantes estão lá e estarão independentemente do que guardamos delas.

  3. margarida says:

    Consigo. Muito. Não tenho problema nenhum em largar cartas e prendas e fotos e tudo. talvez me arrependa depois mas é raro.
    Já a memória, a cabra dessa gaja, lixa-me e tatua-me as pessoas mesmo que eu queira deixá-las no contentor mais próximo.

  4. bernardo says:

    eu também sou um recolector moderno. debaixo da minha cama tenho 3 caixotes com papéis vários do meu ano na alemanha, supostamente para um dia fazer uma “selecção”. mas não consigo.

    a diferença é que agora guardo muito menos coisas. é mais fácil limitar à partida a quantidade de escolhas difíceis (como são sempre – e inevitavelmente – as escolhas sobre o que deitar ou não fora):P

    (quanto a amores antigos e afins – hum. também não consigo deitar fora as coisas que me lembram essas pessoas. limito-me a guardar as coisas numa caixa escondida até a coisa não doer tanto. mas deitar fora – jamais!)

  5. Beguinha says:

    O pior de tudo é quando decides pôr fora duas ou três coisas e passados poucos dias, quem sabe apenas algumas horas, eram precisamente aqueles os objectos que te faziam falta, que querias olhar, mexer, recordar… Assim, para prevenir futuros males, mais vale ir guardando, fazer caixas e caixinhas por anos ou por décadas, por pessoas ou por outras quaisquer categorias. Guardar enquanto ali está reflectida a memória. Guardar até que a memória seja mais forte do que o objecto. Mais forte do que tudo.
    Gosto muito de te ler!

  6. Bruno says:

    Depende, há coisas que nunca seria capaz de me desfazer. Também tenho esse dilema. Ainda por cima odeio andar com tralhinhas inúteis de trás para a frente. Gosto de ter a minha casa “limpinha” e minimalista, só com o essencial. Fica menos pessoal mas fica mais fácil de limpar!🙂

    É um dilema. Eu acho que não conseguiria desfazer-me de tudo e recomeçar do zero, principalmente de fotografias.

  7. Raquel says:

    Olá, ou melhor bonsoir! Bem-vinda ao século XX, onde podemos fotografar todas as tralhas e relíquias inuteis para mais tarde recordar. Sofro do mesmo mal, mas ultimamente tenho-me conseguido livrar de algumas coisas, fotografo e siga para outro dono se ainda estiver em condições.

comentários aos molhos

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