encerrar capítulos

regresso à minha cidade hoje. à minha casa. às minhas coisas. a mim. só não regresso à minha palita e isso é algo que nunca hei-de perdoar. mas regresso.

ao sol todo o dia a banhar-me a vista. ao aroma a bolos acabados de fazer. à relva e ás corridas com o meu sobrinho. ao cheirinho que só um bébe pode ter.

regresso ao meu sofá e aos telefonemas para ir lanchar, jantar, qualquer coisa. e voltar para casa às 6 da manhã. regresso a estas coisinhas boas, boas.

deixo para trás uma cidade de más memórias. deixo chuva, frio e cinzento. deixo para trás pessoas de mal com a vida. deixo para trás coninhas, alucinados, umbigistas, perpotentes e mal educados.

deixo paredes que nunca senti como casa.

enfiar tudo em caixotes é o habitual. mas o desenrasque é tão nosso que foi mesmo enfiar tudo em sacos.

reencontrei tudo no mesmo sítio. mas mais sujo. porco. coisa com que nunca consegui lidar. felizmente deixei bichos que se passeiam alegremente pela cama. fungos em versão estalactite. nojo!

leco comigo a certeza que há sempre obstáculos mas encontro sempre soluções. deixei de pensar que não tenho sorte alguma. de facto a sorte está dentro desta cabeça que vive à velocidade da luz. conjuro, planeio, desejo, sonho. sempre a olhar lá pra a frente, o horizonte.

levo desta cidade uma pele mais grossa. reencontros deliciosos. descobertas ainda mais doces.

lisboa pagou-me as contas. o objectivo cumpriu-se. regresso a casa finalmente.

que estava fartinha daquelas paredes e daquela gentinha.

12 thoughts on “encerrar capítulos

  1. Bruno says:

    Eu também gosto de encerrar capítulos! Boa sorte nesta nova mudança.

    Uma coisa que vou reter é que ficaste com a pele mais rija… hahaha! Estou a brincar!🙂

  2. clara says:

    oh. que pena. porque eu adoro lisboa e não me imagino a viver noutro lado. e acho sempre que toda a gente gosta de lisboa. mas é claro que não é assim. não pode ser assim.

    • sophia says:

      enquanto estive em lisboa já desvinculada de pessoas que me puxavam o estado de espírito para territórios demasiado negativos consegui viver as potencialidade de lisboa. quando regressei a casa senti e ainda sinto falta de algumas coisas. aprendi com esta experiência uma coisa que todos nós já ouvimos dizer num momento ou noutro. os sítios são as pessoas que os fazem. não gostei de lisboa porque não gostava da pessoa que com quem estava. e detestei paris porque a conheci com essa mesma pessoa.

      regressei por isso às pessoas que eu adoro. que quem me conhece sabe bem que não sou defensora de viver em coimbra para todo o sempre.🙂

      • Bruno says:

        É verdade. Os sítios são as pessoas que os fazem. Odeio a cidade de Águeda por causa disso, vivi lá muitos anos. As pessoas são mesquinhas, invejosas, peneirentas, desonestas, interesseiras… arghh!
        Agora a cidade onde vivo, adoro! Aveiro é linda, as pessoas são lindas, a ria, o mar, a cidade… Apetece-me abraçar Aveiro mas tenho os braços pequeninos… não dá.🙂

  3. paula says:

    A nossa casa é onde colocamos o nosso chapéu e nos sentimos felizes, e estamos perto das pessoas que gostamos.

    O exterior, por mais belo que seja, não nos faz sentir felizes se nós estivermos, interiormente, em derrocada.

    Parabéns pelo Blog.

    • sophia says:

      a nossa casa acredito que está nos detalhes. perto ou longe das pessoas que adoramos mas sempre connosco lá dentro.

      porque mesmo quando longe dessas pessoas estamos sempre rodeados daquilo que as transporta.

      difícil é quando só temos apenas nós. e somos obrigados a deixar as nossas pessoas de fora porque há quem se sinta mal com isso de gostar de alguém.

      obrigada paula🙂

  4. says:

    ainda bem que ficaste contente de voltar.
    bebemos champanhe com a tua saída.

    e ainda bem que lisboa te pagou as contas, já que estiveste cá de borla.
    levaste mobilia que não era tua, mas sim da pessoa que nao gostavas… recordaçoes de uma pessoa que só te aguentou um mês, mas nao foi cabrao para te mandar para a rua.

    já me tinha esquecido de ti, mas as más memórias voltaram quando o senhor facebook teve a bondade de me avisar de potenciais fotos de partir o coco a rir.

    não resisti e vim parar a este blog onde expoes a tua personalidade de merda.
    boa sorte em te colares ao proximo para o chupares de duas maneiras.

comentários aos molhos

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