ponto da situação

parece que levei um enxerto de porrada. a minha grande amiga lite (piada mais estúpida dos tempos de adolescente desengraçada) deu-lhe com força. instalou-se de mansinho e eu vi logo ‘ahh menina amanhã estás com febre. agarra-te ao são judas tadeu para não teres otites e faringites e todas as outras ites que acontecem do pescoço para cima.

o que importa é que sim, febre, enxerto de porrada.

acordei já depois das 8. da noite. com fome. e sem nada que comer. esta casa esteve abandonada durante 4 meses. as cavalas congeladas que a minha mãe meteu no frigorífico não contam. até porque de todas as coisas, cavalas, enfim. esta minha propensão para o absurdo tinha que vir de algum lado.

o sarcasmo esse fez-se em flor graças ao meu pai. afinal que mais se pode responder quando se acaba de parar o carro e sair dele para passar o fim de semana em casa de papai e mamae e papai, abeirando-se de mim, pergunta : então vieste de carro? existiram várias variações de resposta. guardo com carinho duas. ‘não, vim de bicicleta…porra estava a ver que nunca mais chegava’ ‘ahh não. vim de navio. tive é que aportar em aveiro. era grande demais para a marina da figueira.’

oh bem, a minha mãe também liga para o telefone fixo e pergunta se estou em casa. respondo quase quase sempre ‘ neste exacto momento? estou em casa do sr. porto (vizinho do lado) a brincar com os gatos. são mesmo fofos.’ invariavelmente segue-se uma torrente de insultos por parte dela. mas isto é tal como eu disse ao m. ‘no fundo gostas de viver no perigo. há quem salte de paraquedas, quem se atire de encostas escarpadas. e depois há pessoas que gostam de mandar bocas para o ar a ver se apanham no focinho.’ i walk the line.

mas isto tudo para dizer que esta casa está um caos. pó que deus dá. camadas e camadas. as alergias andam ao rubro. mas os dias andam quentes, a vontade pouca. e só penso em remodelações. e até me passar estas vontades, nomeadamente de pintar a casa toda, acho que é bem melhor estar quieta. só quero mudanças, mudanças, mudanças. estou a ficar viciada nesta pequena adrenalina de andar sempre metida em coisas novas.

fui às compras para ver se enfiava alguma comida nesta casa. parei indecisa em frente a um bolo de aniversário. so blame me. adoro bolo de aniversário. e que se lixe. como diz luce ‘é que és tão puta senhor que só comes merda e nada. nem um centímetro para marcar posição’. parei e parei e acabei por deixá-lo lá.

mas também, só comprei merda. mas um saquinho foi inteiro para o banco alimentar. e apraz-me, sinceramente, que no meio disto tudo ainda encontre espaço em mim para ser realmente boa pessoa. quando vi aquele azul inconfundível pensei com grande alívio ‘ai que bom, ainda bem que cá estão’.

isso e ajudei os senhores do inem que andavam perdidos.

o ponto da situação é este mesmo. ando a mitigar sentimentos maus que me acompanharam durante demasiado tempo da minha vida. há uma nova miúda debaixo desta pele. uma miúda melhor.

2 thoughts on “ponto da situação

comentários aos molhos

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