perry blake | santiago alquimista

Com os devidos atrasos, afinal Portugal fica aqui tão perto, Perry Blake surgiu perante a plateia que encheu o Santiago Alquimista para o ver ou rever, ou quem sabe só mesmo para matar saudades. Da sua voz soporífera e dos seus versos inconsequentes. Acompanhado apenas por piano e contrabaixo, Blake construiu um ambiente intimista sustentado pelo espaço, que despiu as suas canções de tudo para além do momento. Quase nem se deu pelo novo álbum ‘The Crying Room’, susposta razão das datas em Portugal, para além da apresentação do livro de letras ‘These Pretty Love Songs’ (editado pela portuguesa Quasi). O próprio Blake fez questão de salientar “que não nos queria aborrecer muito”. Preferiu recorrer aos seus trabalhos anteriores, com a certeza de palmas e coro de fundo por parte dos presentes. Como aconteceu com ‘Califorrnia’, ‘ Lies lies lies’ ou, já para o final, com ‘Pretty Love Songs’. Este senhor é um conhecido dos que decidiram passear pelos lados do miradouro de Santa Luzia, e mesmo não tendo o génio daqueles para os quais nos remete, como Cohen ou Neil Hannon, quem lá esteve desculpou-lhe isso e a dificuldade em dizer algo que não fosse apenas para ele mesmo. Pois Perry Blake, já depois do regresso ensaiado, assentiu aos pedidos do público e cantou, para embalar o que restava da noite, ‘Ordinary Days’. Apontamento ainda para a versão instrumental de ‘Forbidden Colours’ de David Sylvian com Perry Blake em parte incerta mas que conseguiu arrancar à plateia a primeira ovação da noite. Porém a verdade não deixa de ser evidente, em formato minimalista as canções empobrecem e sente-se a falta das cordas, do ritmo da bateria, enfim, sente-se a falta das versões originais e nem o encanto do irlandês nem um concerto sem mácula o conseguem alterar. Falta-lhe a estrela que distingue os bons dos geniais. O que Blake veio apresentar foi uma grande canção de embalar. Quando saiu do palco depois do tradicional ‘obrigado’ se tivesse acrescentado ‘durmam bem’ ninguém estranharia. Provavelmente muitos iriam mesmo dormir.

texto disponível em clix música | ninguém chora


comentários aos molhos

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