Classé dans ler-me nos outros

porque sim, porque sim.

não namores com uma miúda que lê, namora com uma miúda que tenha bigode

vai-me mas é buscar uma cerveja, sweety. e não namores com uma miúda que lê, muito menos com uma que escreva. que seja antes gira e bem disposta, leve e ambiciosa: que queira uma casa com quintal, três filhos e uma televisão a cores para verem filmes policiais ao domingo, pés enterrados na areia em agosto e uma ou duas fotografias em paris pelo vosso aniversário. namora com uma rapariga que esteja disposta a andar com uma fotografia tua na carteira, que te dê beijinhos no pescoço quando acordas e que dance – e que dance. que saiba inglês, que arrisque nas ostras, que não vá em implantes. man, as miúdas que lêem têm cabecinhas sobrevalorizadas, barrocas em jeito prafrentex, e mania desde o rouge da unha do pé ao cabelinho que deixam no teu lençol. mania de ficcionar, de querer romance, poesia, aventura no boteco, paixão no supermercado, desamor e quebra-cabeças porque sim, porque sim. miúdas que lêem não suportam rotina e acham sempre que falta qualquer coisa – suspense, acção e sangue. são lindas quando bebem de mais, as miúdas que lêem. ficam iguais às outras.

catarina n’a trama

inveja? eu?

depois de um fim de semana de chuva o sol regressou glorioso á ilha. ainda bem que assim posso ir de bicicleta trabalhar. fim de semana de folga e muita ronha que a chuva pedia isso. professei o meu amor a berlim em jeito de tomada de balanço para o dia de hoje. e o que inquieta o pipoco a mim sempre me regozijou. se há dias que até tenho disso que chamam a inveja do pénis também os há, muitos, em que nem por isso. normalmente a inveja surge em períodos matinais. sim, gostava de saber como é ser acordado por um broche logo pela manhã.

copy paste integral

«A geração parva

Há mais ou menos dezoito anos, um editorial deste jornal teve a ideia de chamar “geração rasca” aos jovens que na altura tinham mais ou menos dezoito anos. A geração — essa geração, a minha — nunca mais conseguiu esquecer. Com toda a ambiguidade, levámos o nome a peito: ficámos ofendidos com ele, um pouco envergonhados sim, muito irritados também, mas fizémo-lo nosso sobretudo, tentando dar-lhe a volta (a “geração à rasca”) às vezes. Recusámo-nos sempre, sabe-se lá porquê — porque era injusto, digo eu —, a largá-lo.

Que o nome era injusto foi-se vendo depois. Na verdade, esta geração, que tem agora o dobro da idade, não foi absolutamente nada rasca. Pelo contrário, espanta-nos a nós — e a quem quiser observar — o quão cordatos fomos. Passámos a segunda metade das nossas vidas com esse ferrão do vexame em manifesto silêncio. Ouvimos até à náusea que éramos a “terra queimada” do sistema de ensino — chegámos a repeti-lo nós, por reflexo condicionado — até muito recentemente apenas se ter começado a reconhcer que afinal somos a “geração mais bem preparada” de sempre no país. O que pode não ser difícil, mas não deixa de ser verdade. E nestes anos todos, de forma passiva, cabisbaixa e rotineira lá fomos aceitando mais um estágio, mais um subemprego, mais uma caderneta de recibos verdes, mais um mês no call center, ou — pior ainda — um telefonema do call center a dizer que afinal não precisamos de ir neste mês nem nos seguintes.

***

Até que no outro dia, no Coliseu do Porto, a banda do momento, que leva um nome de mocinha de outros tempos — Deolinda — tocou em estreia absoluta uma música cujos versos começam, de mansinho, “sou da geração / sem remuneração”. Às palavras, claras e bem articuladas, o público que nunca as tinha ouvido reagiu primeiro com uma ligeira gargalhada. A música é também ela falsamente branda e delicada; em três minutos somente veremos que fomos enganados pelas aparências e que ela tem dentro uma raiva cristalina.

As rimas prosaicas, que parecem piadas e na verdade são facas — “isto está mau e vai continuar / já é uma sorte poder estagiar” — vão entrando na carne do público a pouco e pouco. Aqueles que lá estavam e tinham aquela idade — “a geração do vou-queixar-me-pra-quê / há bem pior do que eu na TV” — reconheceram-se ao espelho.

Irónica, muito muito cansada e lamentosa, a vocalista vai repetindo sobre o repenicado das guitarras, “que parva que eu sou”, “que parva que eu sou”. Insultando-se para não insultar o mundo porque afinal — a coisa menos rasca do mundo — somos bem educadinhos. Só quando a rede já está lançada a canção se diz, não vá alguém levar a mal, numa sugestão apenas:

“…fico a pensar, que mundo tão parvo / onde para ser escravo / é preciso estudar.”

Neste momento, o público estava pasmado. Na última estrofe — “sou da geração do já-não-posso-mais / que esta situação dura há tempo demais” — estava conquistado. No fim da canção aplaudiu de pé. Uns estavam arrepiados, outros comovidos. A cantora levantou os dois braços, numa espécie de alívio, como quem finalmente disse uma coisa que estava entalada. Vão ver: alguém filmou, pôs na internet, partilhou; nasceu um fenómeno. A geração finalmente pôs um nome a si mesma.

Pois é, Deolinda: que parvos que somos. Que parvos que fomos. Que parvos que temos sido. Mas ninguém pode ser parvo tanto tempo assim. Vê lá: se mudássemos aqui uma letra, e substituíssemos ali por outra — voilà! — ainda iríamos a tempo de ser a geração brava, não era?»

Rui Tavares

via menina limão

anda toda a gente com esta música na boca. se pensarmos no porque só temos razões para mandar tudo á merda. eu ando a fazer isso. e conto anos perdidos.

se por mais nada

apenas porque adoro a palavra descoroçoante. e nada como ver alguém a emprega-la. o dia fica logo melhor.

somos duas.

Sou da velha guarda. Não acredito na mistura dos sexos, acredito que um vale pelo outro, que cada um, com as suas características é igual ao outro mas não acho piadinha nenhuma a essa mistura que por aí anda a tentarem imitar comportamentos alheios. A mulher quer-se frágil  (não fraca, cuidado), permite-se-lhe algumas crises de insegurança, vai na pior das hipóteses um arrancar de cabelos. Fica-lhe bem um choro de vez em quando, uma conversa sobre sapatitos, cremes e por aí. Também acho enternecedor quando começamos a falar em sentimentos e a capacidade infinita que temos em analisar a porra de uma frase por vários ângulos divagando ao nosso gosto, a dada altura um bom dia torna-se num pedido de casamento. Somos tão criativas. E algumas são cobras, somos sim, língua venenosa, sempre a ver quem tem mais mamas, melhor cabelo e maior namorado, sempre a competir, sempre a correr não vá alguém estar à nossa frente. E fazemos-nos de púdicas, dá-nos um certo gozo essa coisa do “oh não, eu não queria mas não resisto ao cheiro da tua nuca, que maçada” quando, no fundo pensamos “dasse, estava a ver que nunca mais te aproximavas, farta de só ter sonhos húmidos contigo, meu amor”. Isto somos nós. Não eles.
Eu não suporto homens “meninas histéricas” que tentam, para se aproximar de nós, abordar os nossos temas, a fazerem-se de ofendidas constantemente, com birras, choros e dramas. Homem que é homem não é isto, não passa horas ao espelho, não pensa duas vezes em ligar nem três vezes em ir procurar a mulher dos seus sonhos, bolas, homem que é homem cuida, como nos primórdios dos tempos, cuida, mete a mão no ombro e, de preferência com voz grave, diz que está tudo bem, que vai ficar bem, que está ali. aqui.
pela sempre certeira ême

é.

Isto de ser arrogante não é fácil, temos que estar melhor preparados que os outros, são os livros lidos em vez de alimentar as facebookeanas páginas, são as viagem feitas em vez do torrar ao sol no reino dos Algarves, são as experiências vividas em vez das manhãs dormidas até tarde que nos dão as bases para sermos arrogantes, que, todos o sabemos, é ter opinião clara sobre os assuntos, é dizer nos olhos que se gosta em vez de clicar no dedinho para cima, é assumir o que se faz em vez do refúgio fácil no boato e na velhacaria, é não falar de quem não conhecemos, é não fazer alianças de conveniência.

Ser arrogante é saber que não vamos fazer parte dos mais populares, esse estatuto pertencerá sempre aos que se queixam, que, coitadinhos, não têm sorte nenhuma, aos dignos de compaixão, aos que precisam do ombro amigo, aos que preenchem as nossas necessidades de termos um desgraçadinho de estimação para tomarmos conta.

Ser arrogante é uma canseira, dá trabalho, implica fazer opções claras, pedir desculpa quando tem que ser. Ser arrogante não é para todos. É por isso que somos poucos e cada vez seremos menos.

pipoco mais salgado

não nutro particular interesse por jogos. sobram-me poucas opções.

A solidão é um pouco como uma pessoa inscrever-se num ginásio. Parece sempre boa ideia em teoria, depois na prática é uma coisa diferente. Colada à solidão, vem o conceito de liberdade. Sozinhos, podemos fazer o que quisermos. É com tristeza que compreendemos que isso desemboca rapidamente em maratonas de playstation e pornografia.

tolan

saudosista much?

já tive tempo suficiente de fazer algumas coisas desde que me mudei para esta ilha. mas esta é um ilha solitária. a cidade é feita de pessoas que andam sozinhas e entreteem horas a brincar com os seus telemóveis. não sou boa a fazer amigos. sento-me a olhar para os rectângulos que vão surgindo cheios de frases avulsas e pergunto: como é que se fazem amigos?

não sei mesmo. conhecer gente, muita, mas amigos, isso é um estatuto que não emprego de leve ânimo.

já tive tempo de fazer muita coisa. até de ter direito a uma pequena experiência no que concerno ao dating pelos parâmetro anglosaxónicos. com good night kiss e essas coisas todas. o chato é que eu queria um amigo. ele não sabia bem o que queria. pela reacção de se ter levantado depois de proferir a já mítica frase ‘you’ve got to much attitude going on’ acho que ele só não queria era a minha indiferença.

e chorei, nesses dias chorei, chorei bastante. porque fiz o luto a uma amizade e eu estou cansada de perder amizades. cansada por ter deixado de ser one of the boys a partir do momento em que ganhei um decote generoso. a amizade entre homens e mulheres e mesmo possível. só é preciso ter uma certa propensão para ter conceitos de amizades mais abrangentes. e eu é mais como nos good old days.

culture tells us we are always to be blamed

Rape culture is telling girls and women to be careful about what you wear, how you wear it, how you carry yourself, where you walk, when you walk there, with whom you walk, whom you trust, what you do, where you do it, with whom you do it, what you drink, how much you drink, whether you make eye contact, if you’re alone, if you’re with a stranger, if you’re in a group, if you’re in a group of strangers, if it’s dark, if the area is unfamiliar, if you’re carrying something, how you carry it, what kind of shoes you’re wearing in case you have to run, what kind of purse you carry, what jewelry you wear, what time it is, what street it is, what environment it is, how many people you sleep with, what kind of people you sleep with, who your friends are, to whom you give your number, who’s around when the delivery guy comes, to get an apartment where you can see who’s at the door before they can see you, to check before you open the door to the delivery guy, to own a dog or a dog-sound-making machine, to get a roommate, to take self-defense, to always be alert always pay attention always watch your back always be aware of your surroundings and never let your guard down for a moment lest you be sexually assaulted and if you are and didn’t follow all the rules it’s your fault.

via wild at heart

eu sonho ser uma casa de meninas.

Eu, cujo sonho meu é chegar à centena de visitas diárias, desde que duas delas sejam o maradona e o senhor primeiro-ministro, e aí me manter com regularidade e contenção, nunca me importei de ter 20 visitas ou mesmo 3, desde que uma delas fosse Deus. De resto, para me guiar, ponho a bitola das visitas na seguinte base: a melhor e mais produtiva prostituta raramente ultrapassa as 25 visitas diárias. Actualmente, vou em 80!

gaf

postal norte

eu fui lá e perguntei. a pólo norte respondeu. mandou morada e hoje de tarde lá foi um postal a caminho de um sítio avulso deste mundo graças a esta mulher do diabo.

ainda não está descartada a hipótese de um cartaz com pólo norte rulezzzzz ali para os lados de picadilly. só tenho que encontrar o turista mais exótico possível.

se bem que um cartaz a dizer ‘o beco dá-me calores’ também não era mal pensado. hummm

se o wikileaks fosse assim é que era.

Estou com medo: será que o WikiLeaks tem provas de que tomei uma bezana em 88 com uma garrafa de Martini – episódio que me afastou para sempre desse glamoroso néctar e das suas possibilidades de sedução? Mais: será que o WikiLeaks sabe e vai divulgar ao mundo que em miúdo era do Belenenses e pedi ao meu pai, com infinito temor, para mudar para o Benfica? Será que amanhã vou comprar o “El País” e topar que se tornou público que já gostei dos Bros e do Climie Fischer e que só depois é que passei para um universo musical, digamos, um bocadinho mais denso ao ouvir “Kiss Me Kiss Me Kiss Me”, dos Cure? E não sou só eu que estou com medo: a vizinhança também está. O filho da Dona Odete, machão encartado, receia que se conheça a sua aventura homossexual aos 17 anos com um primo de Setúbal. O dietista do 2.º esquerdo treme só de pensar que o mundo vai comentar o seu vício das trufas de chocolate belga. O intelectual do rés-do-chão tem ataques de pânico ao imaginar que os seus tertulianos amigos podem vir a perceber que, enquanto lê o seu Zizek, tem a televisão sintonizada no Dr. Oz. Para agravar mais as coisas o Gonçalo Amaral ainda veio comunicar que há um satélite em cima do Algarve e do Norte de África que vai trazer mais provas contra os McCann. A gente pergunta-se: será que não há outros satélites por cima de nós a gravar tudo o que fazemos – para reproduzir mais tarde, em sessões de fazer corar o Zé Carlos do talho? Tenho medo. Tenho muito medo.

nuno costa santos

sou melancólica, bota de elástico e gosto dessa maçada.

Sou perfeitamente capaz de admitir que o aparelho há-de ser bestialmente prático para pessoas sobredotadas, mas, para sujeitos limitados como eu, capazes de lerem apenas um livro de cada vez, e devagarinho, as novas tecnologias de leitura afiguram-se ainda um pouco estrambólicas. (…)

A possibilidade de ter toda uma biblioteca dentro de uma bolacha electrónica é seguramente muito interessante para qualquer indivíduo que não aprecie a companhia quieta de centenas de livros já lidos, amarelecendo em silêncio e cobrindo-se melancolicamente de pó. (…)

Segundo já profetizou um inteligente, “a literatura não é feita de papel” e, portanto, não há-de faltar muito para que seja possível fazer download de vários milhões de terabytes literários directamente para o cérebro, previamente dotado de uma tomada USB biocompatível. Com o interface adequado, será mesmo possível dispensar-se, um dia, a maçada de aprender a ler.

m.j. marmelo

nunca.

Filoctetes detesta os homens e a sociedade. E porquê? Porque foi abandonado numa ilha deserta pelos seus companheiros, aqueles em quem mais confiava, deixado a agonizar com uma mordedura de víbora que tornou um dos seus pés numa chaga infecta.

Assim que Filoctetes foi ferido, aqueles em quem confiava não quiseram saber mais dele, não lhe suportavam a presença, a visão, o cheiro, não aguentavam os seus lamentos lancinantes. Ele já não era útil. Foram-se embora, ele que morresse sozinho.

Não morreu. Viveu dez anos naquela ilha, sem ninguém, e sem maneira de regressar a casa, horrorizado com a deslealdade e sofrendo dores atrozes. Tornou-se endurecido, insensível, selvagem. Um farrapo humano.

É por isso que Filoctetes não quer saber do convívio com gente impiedosa. É inflexível, nunca mais quer nada com eles, «nunca, nunca», diz, nem que os deuses intercedam. O trauma justifica a insolência.

pedro mexia

i keep mine close to reach

a room without books is like a body without a soul.

cicero

estou emocionada*

a ginger, a bicicleta mais hip da blogosfera, vota no sim e diz que aqui o beco deve seguir em duas rodas. rita tu matas-me. literalmente.

*é muita emoção pensar que a morte está para breve e é uma escolha. colectiva e ponderada.

ora caramba

estava a ler a margarida a propósito de um(a) anónimo(a) e fiquei-me aqui a roer.

não tenho hate comments há algum tempo. e isso só pode significar que não desperto raivinhas, invejazinhas, mal dizeres em ninguém. porra pá!  porque eu sou impossível. ainda hoje troca de galhardetes aqui e ali com rapazinho e diz um amigo: don’t hummer him. he’s not funny. e eu? respondo o quê? i know! por favor I KNOW. até ele ficou chocado. ainda tentou uma piadita e tal mas por favor, mulher, estás na terra do salamaleque, toma juízo. era para dizer ‘oh noooo. he’s tottaly funny. he’s a blast’ ou qualquer cagadinha desse género.

mas andando. não tenho hate comments. e não falta material. caramba tenho um vidinha aborrecida comó memino jesus naquela fase do nas palhas estendido, nas palhas deitado. ando sempre a meter fotos minhas e só por aí…material não falta. temos depois as fotos tiradas por mim com pseudo pretensão à artisística que mete dó. mesmo assim não?

o que escrevo? (escrever pfff juntar palavras de forma caótica) até eu ventilo alguns ‘não te trates não’.

fogo, não tenho hate comments. e isso é uma tristeza. porque eu sei que as pessoas não gostam de mim. mas bolas, ser assim tão blaggg que nem sequer me odeiam?

dormir, viver. existir sei lá.

Às vezes tenho a sensação de que enquanto não formos todos iguais há gente que não dorme sossegada.

lisabel

precedência do corte de relações

Em Lisboa, passei por um período muito rico em cortes de relações.* Cortar relações só custa à primeira e deve ser um pouco como matar, apesar das diferenças de grau – a comparação não é inusitada, pois é costume dizer-se “para mim, morreste”. O cenário mais interessante no corte de relações sucede quando a vontade de cortar é recíproca. Se esta é a situação desejada para uma posteridade tranquila, levanta um problema no momento em que se concretiza o corte. A situação ideal é um corte de relações recíproco e absolutamente simétrico. Porém, é formalmente muito difícil demonstrar que a iniciativa de cortar relações partiu em simultâneo de ambos os lados e que nenhum lado reage ao anúncio de corte do opositor.**

eremita da planície

*a localização é a mesma. corte de relações não no plural. e reencontrei novos trilhos para relações anteriores na mesma localização. pode-se dizer que ganhei. em quantidade e franca qualidade.

** e isto do reagir têm muito que se diga. muito. nada como comunicar decisões à muito adiadas para de um momento para o outro se descobrir sentimentos deslavados. mas isto é material para um post per si.

teimosa que sou tento a cada corte ter uma. falho sempre.

quero não levar a mal o egoísmo dos outros, achar piada às conversas de circunstâncias de quem me conhece há anos e que ainda teima em falar do tempo, falar dos ídolos e ter uma quinta virtual e, especialmente, gostava que a franja me ficasse bem.

margarida

wishlist

tenho que concordar com o senhor palomar e dizer que esta capa é bem catita. tão catita que segue para a tbr (to be read)

explorar os números

As visitas a este blogue aumentam à segunda-feira. Depois, vão diminuindo ao longo da semana. O que posso eu concluir? Que há quem chegue aqui esperançoso com novidades novas e verifica que é sempre a mesma vidinha entediante e absurda repetida à exaustão.

manuel a. domingos

vivam as primeiras chuvadas

o cheiro a naftalina marca mesmo a chegada do outono. dei-me conta disso ao ler a constatação da juliette. no meu caso a naftalina invade o meu campo olfactivo na forma dos idosos que, chegada a chuva, marcam consultas como se fossem morrer amanhã. mas o outono é positivo. o cheiro da naftalina é mais agradável do que o do suor acumulado ao longo de um dia de trabalho nas obras.

alguns olham para o lado e enojam-se.

via fffound!

ler-me nos outros.

Há por aí um grupo de pessoas dedicadas a tecer loas a uns aparelhos muito modernaços que, segundo consta, servem para ler e são capazes de armazenar quatrocentos livros lá dentro. Não sei como é que estes indivíduos fazem para arranjar vagar para ler quatrocentos livros ou a que habilidades circenses se dedicam para conseguirem lê-los todos ao mesmo tempo. Eu só consigo ler um livro de cada vez e, se tivesse tempo para ler quatrocentos livros, preferia ir morar numa biblioteca.

m.j. marmelo

das redes sociais. também.

estava eu aqui deliciada a escrever coisas sobre essas malfadadas redes sociais e a pensar em apagar perfis e quejandos novamente, porque sim, porque o excesso é prejudicial e eu sou pelo minimalismo. a ver os meus feeds e lá vejo este post. macaca-grava-por-cima estou contigo. estes já os tinha visto. e na altura nem rir consegui. achei tudo demasiado trágico. porque algures, não muito longe, isto é verdade. não é uma piada.

(por respeito às 2/3 pessoas que leiem este blogue, e para não estranharem a sequência dos próximos dias, eu não faço posts em tempo real. não. quando tenho tempo, faço meia-dúzia de posts que ficam agendados para os dias seguintes. às vezes lá acontece fazer um tempo real. a tecnologia. é maravilhosa. e tão fria.)

ler-me nos outros #

O homem deita-se cedo. Não pode conciliar o sono. Dá voltas, como é de supor, na cama. Enreda-se entre os lençóis. Acende um cigarro. Lê um pouco. Torna a apagar a luz. Mas não pode dormir. Às três da madrugada levanta-se. Acorda o amigo do lado e confia-lhe que não pode dormir. Pede conselho. O amigo lhe aconselha a dar um pequeno passeio a fim de cansar-se um pouco. Que em seguida tome uma xícara de chá de cidreira e que apague a luz. Faz tudo isto, mas não consegue dormir. Torna a levantar-se. Desta vez recorre ao médico. Como sempre sucede, o médico fala muito, mas o homem não dorme. Às seis da manhã carrega um revólver e estoura os miolos. O homem está morto, mas não pôde dormir. A insónia é uma coisa muito persistente.

Virgílio Piñera, “Projecto para um sonho”. Tradução de Teresa Cristófani Barreto.

manuel amaral

ler-me nos outros.

When I was much younger, I spent nearly a year in the old Reading Room of the British Museum, discovering in the book I was currently reading the title of the next I would read.

verlyn klinkenborg

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