Classé dans leio porque sim porque quero e porque posso

encostada á bancada da cozinha

a ler em voz alta ‘le petit prince’ com corrector de pronunciação e esclarecimento de expressões enquanto ele fazia a tarte de maçã que seria a sobremesa. recordar que ter alguém a cozinhar para nós sabe ainda melhor que ir a qualquer restaurante. encarnar o pequeno princípe só para ouvir ‘you sound so cute’.

one morning online shopping

Portugal’s Unnecessary Bailout

The crisis is not of Portugal’s doing. Its accumulated debt is well below the level of nations like Italy that have not been subject to such devastating assessments. Its budget deficit is lower than that of several other European countries and has been falling quickly as a result of government efforts.

And what of the country’s growth prospects, which analysts conventionally assume to be dismal? In the first quarter of 2010, before markets pushed the interest rates on Portuguese bonds upward, the country had one of the best rates of economic recovery in the European Union. On a number of measures — industrial orders, entrepreneurial innovation, high-school achievement and export growth — Portugal has matched or even outpaced its neighbors in Southern and even Western Europe.

Why, then, has Portugal’s debt been downgraded and its economy pushed to the brink? There are two possible explanations. One is ideological skepticism of Portugal’s mixed-economy model, with its publicly supported loans to small businesses, alongside a few big state-owned companies and a robust welfare state. Market fundamentalists detest the Keynesian-style interventions in areas from Portugal’s housing policy — which averted a bubble and preserved the availability of low-cost urban rentals — to its income assistance for the poor.

A lack of historical perspective is another explanation. Portuguese living standards increased greatly in the 25 years after the democratic revolution of April 1974. In the 1990s labor productivity increased rapidly, private enterprises deepened capital investment with help from the government, and parties from both the center-right and center-left supported increases in social spending. By the century’s end the country had one of Europe’s lowest unemployment rates.

robert m. fishman | the new york times

porque sim, porque sim.

não namores com uma miúda que lê, namora com uma miúda que tenha bigode

vai-me mas é buscar uma cerveja, sweety. e não namores com uma miúda que lê, muito menos com uma que escreva. que seja antes gira e bem disposta, leve e ambiciosa: que queira uma casa com quintal, três filhos e uma televisão a cores para verem filmes policiais ao domingo, pés enterrados na areia em agosto e uma ou duas fotografias em paris pelo vosso aniversário. namora com uma rapariga que esteja disposta a andar com uma fotografia tua na carteira, que te dê beijinhos no pescoço quando acordas e que dance – e que dance. que saiba inglês, que arrisque nas ostras, que não vá em implantes. man, as miúdas que lêem têm cabecinhas sobrevalorizadas, barrocas em jeito prafrentex, e mania desde o rouge da unha do pé ao cabelinho que deixam no teu lençol. mania de ficcionar, de querer romance, poesia, aventura no boteco, paixão no supermercado, desamor e quebra-cabeças porque sim, porque sim. miúdas que lêem não suportam rotina e acham sempre que falta qualquer coisa – suspense, acção e sangue. são lindas quando bebem de mais, as miúdas que lêem. ficam iguais às outras.

catarina n’a trama

já tinha saudades tuas mulher.

Consigo dividir as pessoas pelas que passam e pelas que se mantêm na minha vida. No meio de decepções ou ilusões, consigo ter, no bolso da alma, quem se mantenha aqui, ali, onde eu precisar, quando eu precisar. consigo contar com quem me dá colo, me dá alento, carinho, amizade.
De toda a merda que a vida me trouxe, em certos momentos e quando volto pela auto estrada que já me viu rir e chorar, cansada ou eufórica, com ou sem exesso de velocidade, lembro-me que ainda tenho quem me inspira, quem me faz rir, quem me aquece e quem – eu sei – não me abandonará, por pior que eu seja (porque não sou a pior). Ainda tenho quem me dá vontade em ser melhor. ainda tenho quem se mantém cá dentro, lá fora, seja onde for necessário.

No fundo é disto que levamos da vida, é disto que nos lembramos na recta final, no fundo o que importa mesmo é quem nos inspira.O resto é a merda que nos empata os dias e de quem nos esquecemos na estrada.

o depois sim.

E depois ficar a falar e a rir dos sons que fazemos, naquela felicidade que não deve ser explicada. Medir os pulsos, andar com os dedos pelos braços, pelas costas, omoplatas, ombros, pela linha da cintura, fazer círculos nos joelhos, adorar joelhos, não é beatífico adorar joelhos? E pedir ao nosso amor que nos deixe descansar um bocadinho até a vontade voltar num detalhe que achámos maravilhoso a meio da história que nos estão a contar.

mónica marques

les plaisirs et les jours, marcel proust, 1894

inveja? eu?

depois de um fim de semana de chuva o sol regressou glorioso á ilha. ainda bem que assim posso ir de bicicleta trabalhar. fim de semana de folga e muita ronha que a chuva pedia isso. professei o meu amor a berlim em jeito de tomada de balanço para o dia de hoje. e o que inquieta o pipoco a mim sempre me regozijou. se há dias que até tenho disso que chamam a inveja do pénis também os há, muitos, em que nem por isso. normalmente a inveja surge em períodos matinais. sim, gostava de saber como é ser acordado por um broche logo pela manhã.

obvious jokes notwithstanding

(…) The researchers were trying to replicate earlier work in which the brains of mice given free access to running wheels subsequently fizzed with new brain cells, a process known as neurogenesis, and the mice performed better on rodent intelligence tests than those without access to wheels. To the Princeton researchers’ surprise, when they performed the same study with rats, “which are a little closer, physiologically, to humans,” said Alexis Stranahan, the lead author of the Princeton study, running did not lead to neurogenesis. The rats’ brains remained resolutely unaffected by exercise.

Hoping to discover why, the researchers examined how the rats and mice had been housed and learned that while the mice in the earlier experiments had lived in groups, the rats were kept in single-occupancy cages. Rats, in the wild, are gregarious. They like to be together. The researchers wondered whether isolation could somehow be undermining the cerebral benefits of exercise at a cellular level.

Putting this idea to the test, they divided young male rats into groups housed either in threes or singly and, after a week, gave half of them access to running wheels. All of these rats ran, but only the rats with cagemates experienced rapid and robust neurogenesis. Not until after weeks of running, long after the other socially engaged rats’ brains had sprouted plentiful new neurons and neural connections, did the lone rats start to produce brain cells. Social isolation had dramatically suppressed and slowed the process.

(…)Does this happen in lonely human exercisers? No one knows, Dr. Stranahan said, since comparable experiments on people are impossible. (The animals were sacrificed.) But she added, “There is abundant epidemiological literature in people that loneliness has cognitive consequences, contributing to depression, strokes, Alzheimer’s and so on.”

(…)Taken together, these otherwise varying studies of rodents and humans suggest that while exercise may seems a simple physical activity engaged in by individuals, it is not. It is in fact a behavior plaited with social and emotional concerns that can influence how often you work out and with what physiological consequences. “It may take longer” for lonely people to improve the state of their brains with exercise, Dr. Stranahan said, just as it may take a divorce to get some men in shape. But thankfully, there are some aspects of exercise and interpersonal relationships that remain stubbornly unambiguous. In a 2010 study from the Neuroscience Institute at Princeton, male rats given access to “sexually receptive” females enthusiastically engaged in procreative activity, a moderate workout in its own right and, despite raising their stress hormones, vigorously pumped up the amount of neurogenesis in their brains. Sex improved their ability to think, obvious jokes notwithstanding.

gretchen reynolds for the new york times

copy paste integral

«A geração parva

Há mais ou menos dezoito anos, um editorial deste jornal teve a ideia de chamar “geração rasca” aos jovens que na altura tinham mais ou menos dezoito anos. A geração — essa geração, a minha — nunca mais conseguiu esquecer. Com toda a ambiguidade, levámos o nome a peito: ficámos ofendidos com ele, um pouco envergonhados sim, muito irritados também, mas fizémo-lo nosso sobretudo, tentando dar-lhe a volta (a “geração à rasca”) às vezes. Recusámo-nos sempre, sabe-se lá porquê — porque era injusto, digo eu —, a largá-lo.

Que o nome era injusto foi-se vendo depois. Na verdade, esta geração, que tem agora o dobro da idade, não foi absolutamente nada rasca. Pelo contrário, espanta-nos a nós — e a quem quiser observar — o quão cordatos fomos. Passámos a segunda metade das nossas vidas com esse ferrão do vexame em manifesto silêncio. Ouvimos até à náusea que éramos a “terra queimada” do sistema de ensino — chegámos a repeti-lo nós, por reflexo condicionado — até muito recentemente apenas se ter começado a reconhcer que afinal somos a “geração mais bem preparada” de sempre no país. O que pode não ser difícil, mas não deixa de ser verdade. E nestes anos todos, de forma passiva, cabisbaixa e rotineira lá fomos aceitando mais um estágio, mais um subemprego, mais uma caderneta de recibos verdes, mais um mês no call center, ou — pior ainda — um telefonema do call center a dizer que afinal não precisamos de ir neste mês nem nos seguintes.

***

Até que no outro dia, no Coliseu do Porto, a banda do momento, que leva um nome de mocinha de outros tempos — Deolinda — tocou em estreia absoluta uma música cujos versos começam, de mansinho, “sou da geração / sem remuneração”. Às palavras, claras e bem articuladas, o público que nunca as tinha ouvido reagiu primeiro com uma ligeira gargalhada. A música é também ela falsamente branda e delicada; em três minutos somente veremos que fomos enganados pelas aparências e que ela tem dentro uma raiva cristalina.

As rimas prosaicas, que parecem piadas e na verdade são facas — “isto está mau e vai continuar / já é uma sorte poder estagiar” — vão entrando na carne do público a pouco e pouco. Aqueles que lá estavam e tinham aquela idade — “a geração do vou-queixar-me-pra-quê / há bem pior do que eu na TV” — reconheceram-se ao espelho.

Irónica, muito muito cansada e lamentosa, a vocalista vai repetindo sobre o repenicado das guitarras, “que parva que eu sou”, “que parva que eu sou”. Insultando-se para não insultar o mundo porque afinal — a coisa menos rasca do mundo — somos bem educadinhos. Só quando a rede já está lançada a canção se diz, não vá alguém levar a mal, numa sugestão apenas:

“…fico a pensar, que mundo tão parvo / onde para ser escravo / é preciso estudar.”

Neste momento, o público estava pasmado. Na última estrofe — “sou da geração do já-não-posso-mais / que esta situação dura há tempo demais” — estava conquistado. No fim da canção aplaudiu de pé. Uns estavam arrepiados, outros comovidos. A cantora levantou os dois braços, numa espécie de alívio, como quem finalmente disse uma coisa que estava entalada. Vão ver: alguém filmou, pôs na internet, partilhou; nasceu um fenómeno. A geração finalmente pôs um nome a si mesma.

Pois é, Deolinda: que parvos que somos. Que parvos que fomos. Que parvos que temos sido. Mas ninguém pode ser parvo tanto tempo assim. Vê lá: se mudássemos aqui uma letra, e substituíssemos ali por outra — voilà! — ainda iríamos a tempo de ser a geração brava, não era?»

Rui Tavares

via menina limão

anda toda a gente com esta música na boca. se pensarmos no porque só temos razões para mandar tudo á merda. eu ando a fazer isso. e conto anos perdidos.

punxsutawney phil. bless you.

Photograph from AP

 

“The sky is clear. Prepare for warmth!” With those rousing words Wednesday morning, the world’s most famous groundhog, Punxsutawney Phil, offered a ray of hope to millions of Americans being buffeted by a monster winter storm.

By seeing no shadow as he emerged from his ceremonial burrow in Punxsutawney, Pennsylvania, on Groundhog Day 2011, Phil, according to tradition, is said to have predicted an early spring.

“Groundhog Day is a lot like a rock concert, but the people are better behaved and there’s a groundhog involved,” Tom Chapin, editor of the Punxsutawney Spirit newspaper, told National Geographic News last Groundhog Day eve.

“There’s music and entertainment, spoofs of game shows, and people shooting t-shirts and Beanie Babies” into the crowd, he said.

Legend has it that if Punxsutawney Phil emerges from his temporary burrow—a simulated tree stump at the rural site of Gobbler’s Knob—on February 2 and sees his shadow, winter weather will continue for six more weeks across the United States. But if Phil doesn’t see his shadow, then spring temperatures are just around the corner.

Regardless of the weather prediction, on Groundhog Day, Phil “speaks” to his human caretakers, known as the Inner Circle, in Groundhogese and tells them his forecast. The Inner Circle then translates Phil’s words for the world to hear—or so they say.

On Groundhog Day 2011, “immortal” Punxsutawney Phil—supposedly born no later than the 19th century—got his message out in some decidedly 21st-century ways, by texting his forecast (to sign up, text “groundhog” to 247365) and, of course, updating his Facebook status and the Pennsylvania-tourism Twitter feed.

national geographic

se por mais nada

apenas porque adoro a palavra descoroçoante. e nada como ver alguém a emprega-la. o dia fica logo melhor.

somos duas.

Sou da velha guarda. Não acredito na mistura dos sexos, acredito que um vale pelo outro, que cada um, com as suas características é igual ao outro mas não acho piadinha nenhuma a essa mistura que por aí anda a tentarem imitar comportamentos alheios. A mulher quer-se frágil  (não fraca, cuidado), permite-se-lhe algumas crises de insegurança, vai na pior das hipóteses um arrancar de cabelos. Fica-lhe bem um choro de vez em quando, uma conversa sobre sapatitos, cremes e por aí. Também acho enternecedor quando começamos a falar em sentimentos e a capacidade infinita que temos em analisar a porra de uma frase por vários ângulos divagando ao nosso gosto, a dada altura um bom dia torna-se num pedido de casamento. Somos tão criativas. E algumas são cobras, somos sim, língua venenosa, sempre a ver quem tem mais mamas, melhor cabelo e maior namorado, sempre a competir, sempre a correr não vá alguém estar à nossa frente. E fazemos-nos de púdicas, dá-nos um certo gozo essa coisa do “oh não, eu não queria mas não resisto ao cheiro da tua nuca, que maçada” quando, no fundo pensamos “dasse, estava a ver que nunca mais te aproximavas, farta de só ter sonhos húmidos contigo, meu amor”. Isto somos nós. Não eles.
Eu não suporto homens “meninas histéricas” que tentam, para se aproximar de nós, abordar os nossos temas, a fazerem-se de ofendidas constantemente, com birras, choros e dramas. Homem que é homem não é isto, não passa horas ao espelho, não pensa duas vezes em ligar nem três vezes em ir procurar a mulher dos seus sonhos, bolas, homem que é homem cuida, como nos primórdios dos tempos, cuida, mete a mão no ombro e, de preferência com voz grave, diz que está tudo bem, que vai ficar bem, que está ali. aqui.
pela sempre certeira ême

é.

Isto de ser arrogante não é fácil, temos que estar melhor preparados que os outros, são os livros lidos em vez de alimentar as facebookeanas páginas, são as viagem feitas em vez do torrar ao sol no reino dos Algarves, são as experiências vividas em vez das manhãs dormidas até tarde que nos dão as bases para sermos arrogantes, que, todos o sabemos, é ter opinião clara sobre os assuntos, é dizer nos olhos que se gosta em vez de clicar no dedinho para cima, é assumir o que se faz em vez do refúgio fácil no boato e na velhacaria, é não falar de quem não conhecemos, é não fazer alianças de conveniência.

Ser arrogante é saber que não vamos fazer parte dos mais populares, esse estatuto pertencerá sempre aos que se queixam, que, coitadinhos, não têm sorte nenhuma, aos dignos de compaixão, aos que precisam do ombro amigo, aos que preenchem as nossas necessidades de termos um desgraçadinho de estimação para tomarmos conta.

Ser arrogante é uma canseira, dá trabalho, implica fazer opções claras, pedir desculpa quando tem que ser. Ser arrogante não é para todos. É por isso que somos poucos e cada vez seremos menos.

pipoco mais salgado

não nutro particular interesse por jogos. sobram-me poucas opções.

A solidão é um pouco como uma pessoa inscrever-se num ginásio. Parece sempre boa ideia em teoria, depois na prática é uma coisa diferente. Colada à solidão, vem o conceito de liberdade. Sozinhos, podemos fazer o que quisermos. É com tristeza que compreendemos que isso desemboca rapidamente em maratonas de playstation e pornografia.

tolan

saudosista much?

já tive tempo suficiente de fazer algumas coisas desde que me mudei para esta ilha. mas esta é um ilha solitária. a cidade é feita de pessoas que andam sozinhas e entreteem horas a brincar com os seus telemóveis. não sou boa a fazer amigos. sento-me a olhar para os rectângulos que vão surgindo cheios de frases avulsas e pergunto: como é que se fazem amigos?

não sei mesmo. conhecer gente, muita, mas amigos, isso é um estatuto que não emprego de leve ânimo.

já tive tempo de fazer muita coisa. até de ter direito a uma pequena experiência no que concerno ao dating pelos parâmetro anglosaxónicos. com good night kiss e essas coisas todas. o chato é que eu queria um amigo. ele não sabia bem o que queria. pela reacção de se ter levantado depois de proferir a já mítica frase ‘you’ve got to much attitude going on’ acho que ele só não queria era a minha indiferença.

e chorei, nesses dias chorei, chorei bastante. porque fiz o luto a uma amizade e eu estou cansada de perder amizades. cansada por ter deixado de ser one of the boys a partir do momento em que ganhei um decote generoso. a amizade entre homens e mulheres e mesmo possível. só é preciso ter uma certa propensão para ter conceitos de amizades mais abrangentes. e eu é mais como nos good old days.

culture tells us we are always to be blamed

Rape culture is telling girls and women to be careful about what you wear, how you wear it, how you carry yourself, where you walk, when you walk there, with whom you walk, whom you trust, what you do, where you do it, with whom you do it, what you drink, how much you drink, whether you make eye contact, if you’re alone, if you’re with a stranger, if you’re in a group, if you’re in a group of strangers, if it’s dark, if the area is unfamiliar, if you’re carrying something, how you carry it, what kind of shoes you’re wearing in case you have to run, what kind of purse you carry, what jewelry you wear, what time it is, what street it is, what environment it is, how many people you sleep with, what kind of people you sleep with, who your friends are, to whom you give your number, who’s around when the delivery guy comes, to get an apartment where you can see who’s at the door before they can see you, to check before you open the door to the delivery guy, to own a dog or a dog-sound-making machine, to get a roommate, to take self-defense, to always be alert always pay attention always watch your back always be aware of your surroundings and never let your guard down for a moment lest you be sexually assaulted and if you are and didn’t follow all the rules it’s your fault.

via wild at heart

eu sonho ser uma casa de meninas.

Eu, cujo sonho meu é chegar à centena de visitas diárias, desde que duas delas sejam o maradona e o senhor primeiro-ministro, e aí me manter com regularidade e contenção, nunca me importei de ter 20 visitas ou mesmo 3, desde que uma delas fosse Deus. De resto, para me guiar, ponho a bitola das visitas na seguinte base: a melhor e mais produtiva prostituta raramente ultrapassa as 25 visitas diárias. Actualmente, vou em 80!

gaf

postal norte

eu fui lá e perguntei. a pólo norte respondeu. mandou morada e hoje de tarde lá foi um postal a caminho de um sítio avulso deste mundo graças a esta mulher do diabo.

ainda não está descartada a hipótese de um cartaz com pólo norte rulezzzzz ali para os lados de picadilly. só tenho que encontrar o turista mais exótico possível.

se bem que um cartaz a dizer ‘o beco dá-me calores’ também não era mal pensado. hummm

se o wikileaks fosse assim é que era.

Estou com medo: será que o WikiLeaks tem provas de que tomei uma bezana em 88 com uma garrafa de Martini – episódio que me afastou para sempre desse glamoroso néctar e das suas possibilidades de sedução? Mais: será que o WikiLeaks sabe e vai divulgar ao mundo que em miúdo era do Belenenses e pedi ao meu pai, com infinito temor, para mudar para o Benfica? Será que amanhã vou comprar o “El País” e topar que se tornou público que já gostei dos Bros e do Climie Fischer e que só depois é que passei para um universo musical, digamos, um bocadinho mais denso ao ouvir “Kiss Me Kiss Me Kiss Me”, dos Cure? E não sou só eu que estou com medo: a vizinhança também está. O filho da Dona Odete, machão encartado, receia que se conheça a sua aventura homossexual aos 17 anos com um primo de Setúbal. O dietista do 2.º esquerdo treme só de pensar que o mundo vai comentar o seu vício das trufas de chocolate belga. O intelectual do rés-do-chão tem ataques de pânico ao imaginar que os seus tertulianos amigos podem vir a perceber que, enquanto lê o seu Zizek, tem a televisão sintonizada no Dr. Oz. Para agravar mais as coisas o Gonçalo Amaral ainda veio comunicar que há um satélite em cima do Algarve e do Norte de África que vai trazer mais provas contra os McCann. A gente pergunta-se: será que não há outros satélites por cima de nós a gravar tudo o que fazemos – para reproduzir mais tarde, em sessões de fazer corar o Zé Carlos do talho? Tenho medo. Tenho muito medo.

nuno costa santos

sou melancólica, bota de elástico e gosto dessa maçada.

Sou perfeitamente capaz de admitir que o aparelho há-de ser bestialmente prático para pessoas sobredotadas, mas, para sujeitos limitados como eu, capazes de lerem apenas um livro de cada vez, e devagarinho, as novas tecnologias de leitura afiguram-se ainda um pouco estrambólicas. (…)

A possibilidade de ter toda uma biblioteca dentro de uma bolacha electrónica é seguramente muito interessante para qualquer indivíduo que não aprecie a companhia quieta de centenas de livros já lidos, amarelecendo em silêncio e cobrindo-se melancolicamente de pó. (…)

Segundo já profetizou um inteligente, “a literatura não é feita de papel” e, portanto, não há-de faltar muito para que seja possível fazer download de vários milhões de terabytes literários directamente para o cérebro, previamente dotado de uma tomada USB biocompatível. Com o interface adequado, será mesmo possível dispensar-se, um dia, a maçada de aprender a ler.

m.j. marmelo

nunca.

Filoctetes detesta os homens e a sociedade. E porquê? Porque foi abandonado numa ilha deserta pelos seus companheiros, aqueles em quem mais confiava, deixado a agonizar com uma mordedura de víbora que tornou um dos seus pés numa chaga infecta.

Assim que Filoctetes foi ferido, aqueles em quem confiava não quiseram saber mais dele, não lhe suportavam a presença, a visão, o cheiro, não aguentavam os seus lamentos lancinantes. Ele já não era útil. Foram-se embora, ele que morresse sozinho.

Não morreu. Viveu dez anos naquela ilha, sem ninguém, e sem maneira de regressar a casa, horrorizado com a deslealdade e sofrendo dores atrozes. Tornou-se endurecido, insensível, selvagem. Um farrapo humano.

É por isso que Filoctetes não quer saber do convívio com gente impiedosa. É inflexível, nunca mais quer nada com eles, «nunca, nunca», diz, nem que os deuses intercedam. O trauma justifica a insolência.

pedro mexia

noites brancas VII

porque tudo é uma questão de palavrões, de voz, não se deve esquecer, deve-se tentar não o esquecer completamente, o que importa é haver uma coisa a dizer, por eles, por mim, não se sabe, é cãs para pensar se toda esta confusão de vida e da morte não lhes é totalmente alheia, tanto quanto a mim.

noites brancas de fiódor dostoiesky, tradução de filipe e nina guerra

noites brancas VI

os queimados vivos, quando não estão atados, não hesitam, caramba, em correr para todos os lados, sem qualquer método, crepitando, em busca de um pouco de frescura. até há os que levam o sangue-frio ao extremo de se atirarem de uma janela. não se lhes pede tanto.

noites brancas de fiódor dostoiesky, tradução de filipe e nina guerra

noites brancas V

não precisa racicionar, só tem de sofrer, sempre da mesma forma, nunca menos, numa mais, sem qualquer esperança de uma pausa, sem qualquer esperança de morte, é muito simples. não é preciso racicionar, para não se ter esperança. venha pois a monotonia, é mais estimulante.

noites brancas de fiódor dostoiesky, tradução de filipe e nina guerra

noites brancas IV

o cinzento não significa nada, o silêncio cinzento não é forçosamente senão um bom momento a passar, tanto pode ser o mais, como pode ser o menos oportuno.

noites brancas de fiódor dostoiesky, tradução de filipe e nina guerra

noites brancas III

então poderão calar-se, sem terem de recear um silêncio incómodo de morte como se diz, com anjos a passarem, um verdadeiro martírio.

noites brancas de fiódor dostoiesky, tradução de filipe e nina guerra

noites brancas II

não, pode-se passar assim a vida, sem poder viver, sem poder fazer alguém viver, e morrer inutilmente, sem se ter sido nada, sem ter feito nada.

noites brancas de fiódor dostoiesky, tradução de filipe e nina guerra

noites brancas I

não, no sítio onde está não pode instruir-se, a cabeça não pode funcionar, sabe tanto como no primeiro dia, limita-se a ouvir, a sofrer, sem compreender.

noites brancas de fiódor dostoiesky, tradução de filipe e nina guerra

i keep mine close to reach

a room without books is like a body without a soul.

cicero

wishlist

via a origem das espécies

pronto. quem é que me manda este pelo correio? inutilidades e tempo perdido é comigo.

já vai no terceiro livro dele

e acho que deve ser o autor que mais leio. e percebe-se porquê. já está na lista dos a procurar os restantes porque, bem, a ler é  como se o mundo fosse acabar amanhã. gosto dessa urgência das coisas.

o livro era barato e não tinha mais nada para ler

e estava à venda numa loja de caridade. win-win.

eu alguma vez disse aqui

 

que o nick cave era o único homem com o qual me casava e pelo qual teria uma ranchada de cachopos e tornava-me uma dona de casa que passa a ferro e cozinha todos os dias? não? pronto. então já disse agora. é que é verdade.

o que eu aprendi com este livro

já o tinha na no fundo da minha cabeça. nunca misturar a vida de um blogue com a realidade. sim, somos nós. somos pessoas reais. mas, sempre alguma distância entre um e outro. nada de vir falar mal do patrão porque nunca sabemos que  nos lê. mesmo. hilariante e para quem já quis ser advogada pelo fascínio das séries americanas este é um excelente antídoto. anounymous lawyer é inspirado no blogue de jeremy blachman. e o que se escreve…será que podia estar mais longe da realidade?

first principles, clarice. simplicity.

o ínicio da história. de como hannibal de tornou o dr. lecter pelo qual eu tenho uma pequena paixão nada saudável. de thomas harrison.

regressada aos policiais

de patricia highsmith que deu ao mundo a saga do talentoso mr. ripley. aqui ripley’s game. mafia e assasinos a soldo. já tinha saudade de policiais de bolso.

wishlist

“The bicycle saves my life every day. If you’ve ever experienced a moment of awe or freedom on a bicycle; if you’ve ever taken flight from sadness to the rhythm of two spinning wheels, or felt the resurgence of hope pedalling to the top of a hill with the dew of effort on your forehead; if you’ve ever wondered, swooping bird-like down a long hill on a bicycle, if the world was standing still; if you have ever, just once, sat on a bicycle with a singing heart and felt like an ordinary man touching the gods, then we share something fundamental. We know it’s all about the bike.”


tenho a sorte de me cruzar com as pessoas mais fofas de todas. olhem só o que me fizeram meter na wishlist assim à força toda. andré, mesmo. you’re to precious.

estou emocionada*

a ginger, a bicicleta mais hip da blogosfera, vota no sim e diz que aqui o beco deve seguir em duas rodas. rita tu matas-me. literalmente.

*é muita emoção pensar que a morte está para breve e é uma escolha. colectiva e ponderada.

devorado em menos de nada

less than zero de bret easton ellis. o começo daquilo que se sabe magistral.

confissões de beira de esquina

quando cheguei aqui não tinha casa. fiquei em casa de uma pessoa. a dear if you have to ask me. mas uma semana depois e alguns dirty look pelo caminho a verdade é que a situação era insustentável. até porque tudo o resto estava ali pendurado nesse meio termo do arranjar casa. o desespero quase me fez ficar com um quarto no far far away e numa casa em que limpeza não era uma palavra muito usada. mas felizmente tudo se resolveu pelo melhor.

mas avançando para a primeira noite. sozinha com as malas, enfiada em autocarros de noite por esta cidade a fora. tentar levantar o dinheiro do depósito e chegar á conslusão que me tinha esquecido daquele detalhe que se chama limite de segurança. imensas desculpas ao meu senhorio giro que aleija. pensamento positivo. eu quero ficar aqui, assinar contrato. eu pago amanhã. felizmente tenho um senhorio simpático, giro e compreensivo.

primeira noite. quarto mobilado sim. mas e roupa de cama? nada. desfazer a mala e meter as coisas em ordem. tudo no seu right place que eu sou um bocado ocd.

dormir? uma piada.

dias seguintes 99p store around the corner. comprar qualquer coisinha para comer, copos para poder beber água. uns dias mais tarde o duvet. que nem é preciso nem nada.

e de repente vi-me sem televisão, sem poder usar o computador porque ainda não tinha o adapatador por isso sem música. sem net e sem uma única linha para ler. confesso. quando na 99p store vi o livro da bridget jones foi como se ele me fosse salvar da morte por tédio. era esse ou a biografia do simon cowell.

e a verdade é que salvou. dois dias, uma noite de insónias. e desde esse dia que agradeço às aventuras desvairadas da bridget por não me ter feito perder a sanidade nos primeiros dias sozinha, sem contactos com o mundo. entretanto os livros têm-se sucedido a uma velocidade alucinante. tenho tempo livre e sem limites não é palavra de ordem para esta net.

mas o edge of reason da helen fielding está cá dentro. afinal andei a pairar para o lado de lá algumas vezes.

ora caramba

estava a ler a margarida a propósito de um(a) anónimo(a) e fiquei-me aqui a roer.

não tenho hate comments há algum tempo. e isso só pode significar que não desperto raivinhas, invejazinhas, mal dizeres em ninguém. porra pá!  porque eu sou impossível. ainda hoje troca de galhardetes aqui e ali com rapazinho e diz um amigo: don’t hummer him. he’s not funny. e eu? respondo o quê? i know! por favor I KNOW. até ele ficou chocado. ainda tentou uma piadita e tal mas por favor, mulher, estás na terra do salamaleque, toma juízo. era para dizer ‘oh noooo. he’s tottaly funny. he’s a blast’ ou qualquer cagadinha desse género.

mas andando. não tenho hate comments. e não falta material. caramba tenho um vidinha aborrecida comó memino jesus naquela fase do nas palhas estendido, nas palhas deitado. ando sempre a meter fotos minhas e só por aí…material não falta. temos depois as fotos tiradas por mim com pseudo pretensão à artisística que mete dó. mesmo assim não?

o que escrevo? (escrever pfff juntar palavras de forma caótica) até eu ventilo alguns ‘não te trates não’.

fogo, não tenho hate comments. e isso é uma tristeza. porque eu sei que as pessoas não gostam de mim. mas bolas, ser assim tão blaggg que nem sequer me odeiam?

ohh pfff

estava a ver das novidades no engligh muse (much love) e vai que a tina diz há um sítio em que podemos analisar a nossa escrita e apresentar uma comparação em relação a escritores famosos. o senão, é necessário um texto em inglês. oh meus amigos, tudo de bom. vamos aqui, faz-se uma tradução more or less. e analyze.

I write like
Dan Brown

I Write Like by Mémoires, Mac journal software. Analyze your writing!

o resultado? que escrevo como o dan brown. ohhh pfff. confesso que li o livro que tudo que era gente leu. mas o efeito foi como o da droga. foi do caraças na primeira mas deixa lá isso, não é vida pra mim.

ide. analisai os vossos escritos. deixem-me aqui  a pensar que se escrevo como ele já usava isso para o bem e ganhava tanto como ele. *vagueia para um sítio em que as palavras extracto de conta e saldo disponível não fazem sentido…hummm*

parece que ontem a morte estava ao serviço.

via coisas do arco da velha

acabei de ver o corpo de saramago a chegar a portugal. entre ontem e hoje já vi, revi, ouvi falar, ouvi-o a ele, falaram dele  e falaram mais um pouco. o habitual quando alguém morre.

ontem soube que tinha morrido e pensei imediatamente que quando o descobri, a medo confesso, por todos os demónios que circulavam acerca desse escritor impossível que é saramago, senti-me pequena. pequena porque me contou uma história deliciosa, simples. e não vi nenhum demónio. só vi um homem que parte de coisas simples e delas faz histórias. fechei o livro daquela forma que adoro. com um sorriso. sorri há poucos dias quando fechei ‘as intermitências da morte’. sorri muito, sorri lá dentro.

parece que ontem a morte estava ao serviço.

ontem também deparei-me com a capa daquele livro ali em cima. levantei-me imediatamente e passei dedos por lombadas. sim, está aqui. sempre o comprei. compras compulsivas de livros usados. porque o preço, por favor, é impossível não comprar. este lembro-me de ter visto a cor da capa no meio de pilhas de livros amarelecidos. a ilustração doce. o gigi ali simplesmente. olhei para ele e disse.pff também não é por um euro. quando cheguei a casa abri-o e reparei que a tradução é de saramago. se todos os acasos da tua vida fossem assim bons.

agora o homem é santificado, desprovido de defeitos, de falhas. a morte é assim redentora para quem parte. o homem, esse pertence apenas aqueles que com ele privaram. e são deles as tristezas e as dores das despedidas.

não me entristece que tenha morrido. nascemos todos para isso. poderia pensar que já não escreve mais. mas ainda tenho tanto do que ele escreveu para ler.

alegro-me que o tenha feito. que tenha escrito. que me tenho feito sorrir. e que me tenha acompanhado por tantas horas. e por muitas mais que acompanhe no futuro.

o lugar é mais que comum. o homem morreu mas ele foi maior que a vida do seu corpo. e essa vida fica cá.

dormir, viver. existir sei lá.

Às vezes tenho a sensação de que enquanto não formos todos iguais há gente que não dorme sossegada.

lisabel

e foi assim que me desgracei.

precedência do corte de relações

Em Lisboa, passei por um período muito rico em cortes de relações.* Cortar relações só custa à primeira e deve ser um pouco como matar, apesar das diferenças de grau – a comparação não é inusitada, pois é costume dizer-se “para mim, morreste”. O cenário mais interessante no corte de relações sucede quando a vontade de cortar é recíproca. Se esta é a situação desejada para uma posteridade tranquila, levanta um problema no momento em que se concretiza o corte. A situação ideal é um corte de relações recíproco e absolutamente simétrico. Porém, é formalmente muito difícil demonstrar que a iniciativa de cortar relações partiu em simultâneo de ambos os lados e que nenhum lado reage ao anúncio de corte do opositor.**

eremita da planície

*a localização é a mesma. corte de relações não no plural. e reencontrei novos trilhos para relações anteriores na mesma localização. pode-se dizer que ganhei. em quantidade e franca qualidade.

** e isto do reagir têm muito que se diga. muito. nada como comunicar decisões à muito adiadas para de um momento para o outro se descobrir sentimentos deslavados. mas isto é material para um post per si.

ide ler o resto.

Estar a foder a vida às mulheres que decidem ter filhos não é «discriminar» o «trabalho feminino», tenham lá paciência, é «discriminar» o país todo e a Segurança Social em particular, hipotecando aquilo das gerações futuras.

lourenço

teimosa que sou tento a cada corte ter uma. falho sempre.

quero não levar a mal o egoísmo dos outros, achar piada às conversas de circunstâncias de quem me conhece há anos e que ainda teima em falar do tempo, falar dos ídolos e ter uma quinta virtual e, especialmente, gostava que a franja me ficasse bem.

margarida

wishlist

ficar pela porta não me salva

Cada um é para o que nasce e eu é mais para o pó dos livros na versão menos glamourosa: limpá-los.

mónica marques

custa

Tento ser o mais honesto possível comigo e com os outros. A honestidade foi, desde muito cedo, um conceito que adquiri. É claro que, ao longo dos anos, a honestidade deu origem à frontalidade. Tento, também, ser o mais frontal possível. Ser frontal, nos dias de hoje (a par com ser honesto), deve ser do mais ingrato que pode haver. A frontalidade acaba sempre por nos dar um pontapé no cu. Ninguém está para ouvir outro alguém ser frontal. É terrível, devo admitir. Já muitos foram frontais comigo e custou a engolir.

manuel a. domingos

um par de coisas.

Família é quem nos quer e quem cuida de nós. Independentemente do papá ter um pénis molinho e a mamã uma vagina lassa. De que serve uma vagina ausente e um pénis que não sabe nada de nós?

ana cássia rebelo

wishlist

Eat, Memory (originally published in 2008, and reprinted this year) is a collection of food essays written by modern authors — not just food writers, but novelists and essayists as well. These essays were originally printed in The New York Times Magazine, in a column begun by Amanda Hesser. She wanted to explore the things that food evokes in our memories, the “emotional component of the way we eat.” So her “Eat, Memory” column invited well-known writers to submit essays about key moments in their lives that involved food. As Hesser says, the results were “un-rosy but riveting.” Food is often a key to the most poignant, difficult, and sad moments in our lives, as well as the most joyful.

faith durand

ando dividida entre um e outro

Os portugueses foram educados no princípio de que o seu país se deve caracterizar como de clima temperado, quando a verdade é que nos calhou um clima desordenado, de Invernos frios e Verões calorosos, como convém. Mas não se habituam. As senhoras vestidas com uma blusinha e um pulôver andam pela rua fora, como Beyoncés domésticas, de ombros encolhidos e deformando a marreca, queixando-se do frio e murmurando contra a pátria e as temperaturas anticonstitucionais. Em pleno dia de chuva, ventania e descida de temperatura, há jovens senhoras que marcham, vestidas com uma blusinha e um pulôver (aquela coisa levezinha), destinadas ao cadafalso meteorológico, irritadas e de mau-humor. Estão de alerta amarelo.

francisco josé viegas

c’est simple

It takes so much effort to be effortless.

garance doré

há coisas que escapam à salvação

Mas poderá uma desamizade ser corrigida com amizade? Quando um amigo se desilude com outro, ou quando um amigo conspira contra outro, poderão tais desamizades ser corrigidas com amizade? Não: empiricamente, uma desamizade, ao contrário de uma injustiça, não poderá ser suprida com amizade. Uma desamizade significa justamente a ruptura da amizade, mas uma injustiça não representa a ruptura da justiça.

pedro lomba

andamos enganados então

Mas a boa-vontade é um preceito mais exigente, porque pressupõe – e não consigo dizer isto de outra maneira – uma disposição consequente e translúcida para agir à altura da amizade, para fazer as coisas bem. Na biografia duma amizade experimentaremos muitas vezes períodos de desconfiança, remorso, distanciamento. Mas a boa-vontade não se pode extinguir porque se se extinguir é sinal de que andamos enganados e a enganar os outros.

pedro lomba

cópia integral de crenças

Não devemos esperar que a amizade seja uma convenção entre iguais. A amizade só pode ser uma experiência desequilibrada e anti-igualitária. Para não fracassar é preciso que duas pessoas aceitem, com tolerância e resignação, o seu lugar na hierarquia. Um mais inteligente do que o outro. Um mais bonito do que o outro. Um mais rico do que o outro. Se formos suficientemente lúcidos, tomaremos consciência dessas diferenças sem deixar que elas nos atinjam e sem nunca as exibirmos como arma. Faz parte da amizade manter certas reservas, certos silêncios.
O que sabemos melhor sobre a amizade é que nunca pode ser uma democracia. Quando muito, a amizade é uma aristocracia aberta, porque os aristocratas de uma amizade podem perfeitamente ser os camponeses de outra. Na amizade ninguém tem poder o tempo todo.

wishlist

os homens só nos tornam mais burrinhas….

Ela – Normalmente lês mais à noite ou de dia?
Eu – De dia é mais quando ando de comboio. De resto é mais à noite quando já estou na cama…
Ela – E tens sexo depois ou antes de ler?
Eu – Não sei… acho que leio mais vezes quando estou sozinho…
Ela – Caramba, é que eu desde que comecei a namorar com o XXXXXX ainda não avancei uma página no livro que andava a ler…

bagaço amarelo

de uma maneira ou de outra.

Porque raio não hei-de fazer o que está ao meu alcance para ser o mais famoso de todos os bloggers?

25 visitas, marca o contador hoje. Pergunto: porquê? Terei perdido as minhas qualidades enquanto blogger? Será o Mictório Luzidio uma pálida imagem do que outrora foi? Que fiz eu, para fazê-lo merecer um recorde destes? A insegurança… Oh, esta insegurança dos que sempre sofrem, porque os desígnios nunca são bem o que poderiam ser! A promessa eternamente não cumprida da plenitude! E porque não a perfeição? Porque não aquele blogue sem o qual ninguém conseguiria continuar vivendo, de tão intenso e inesgotável na inspiração que propõe? Porque não é esta composição do Keith Jarrett, que oiço, a materialização em blogue do que sou, do que posso fazer? Quero ser mais, blogger profissional, quero o livro Mictório Luzidio nas livrarias, uma apresentação muito chique nas livrarias mais in de Lisboa e do Porto (Portugal, para meio entendedor), e a crítica no Expresso! Os copy pastes de inspiração lireana ou qualquercoisaumpoucomaisrascaeana, e as 4 estrelitas ao encosto, que as 5 estão reservadas para os veteranos, e alguns mortos também. Entretanto mandei um e-mail ao Pedro Mexia, mas ele não me respondeu. Qual a receita, queria eu saber? Apenas o ser espectacular? É que, dizem-me fontes próximas, sou espectacular quanto baste. Porque não tenho então 120 seguidores no Blogger e 347 seguidores no Google Reader? Que estarei a fazer mal? Porque é que não sou citado semanalmente pelos blogues da alta? Porque não sou o blogger mais estimado aquém e além fronteiras? Porque não me passam correntes? Porque continuo a escrever na penumbra? Porque não me anunciam como o próximo A pipoca mais doce? Posso calçar um salto alto, posso depilar uma perna e contar depois como foi, posso ir a um casamento e tirar uma fotografia à saia, e depois publicá-la. Porque não? Porque raio não hei-de fazer o que está ao meu alcance para ser o mais famoso de todos os bloggers?

josé

já estou com os saltos calçados, ambas as pernas depiladas e vou a um casamento. prometo fotos dos trajes andrajosos. se isto funcionar e me der mais visitas eu prometo que te conto tudo.

então é isso. colo cenas no frigorífico.

As mulheres que vivem sozinhas dividem-se em dois grupos: as mulheres que colam cenas nos frigoríficos e as mulheres que não colam cenas nos frigoríficos. Entenda-se por cenas coisas tipo fotografias, ímanes das viagens que fazem, contas por pagar, desenhos feitos em guardanapos de café e afins…
Acho que sempre me interessei mais pelas mulheres que colam cenas nos frigoríficos. Normalmente são mulheres com mais garra emocional. Riem e choram com mais facilidade porque tudo o que lhes aconteceu na vida teve importância, má ou boa. Aliás, colar cenas no frigorífico é precisamente isso: tentar agarrar pedacinhos da vida e fazer um pequeno mural com eles para que nunca desapareçam.
É verdade que viver com uma mulher que cola cenas no frigorífico é um desafio maior, mas também é verdade que a vida fica mais condimentada. Há uma espécie de caos nestas mulheres que eu adoro. É o caos dos cabelos sempre por pentear, é o caos das calças pisadas no calcanhar, é o caos do filho que foi para a escola sem a lancheira, é o caos da borbulha que apareceu exactamente na ponta do nariz e por fim é o caos das emoções, aquelas emoções que se manifestam numa lágrima que cai num copo de vinho depois dum jantar que quase queimava, dum sorriso trémulo levemente embriagado e, por fim, dum abraço forte incontrolável.
Acho que quando se tem uma namorada que cola cenas no frigorífico é bem possível que essa relação seja duradoura. Duradoura e caótica, é verdade… mas vivida com muitos altos e muitos baixos. Com uma namorada que não cola cenas no frigorífico até podemos nunca nos chatear mas é certo que a coisa vai acabar cedo. Provavelmente vai até acabar muito antes do seu fim oficial, porque não percebemos logo que a branquidão vazia daquele frigorífico é também o vazio da nossa vida…

bagaço amarelo

+

Ou pode ter sido por outra razão mais credível e mais trágica: a quase absoluta impossibilidade de tornarmos as nossas intenções claras para as mulheres. Talvez, mas só talvez, porque nem nós sabemos ao certo o que queremos. Entre homens e mulheres, as amizades tendem a não ser muito mais do que falhas de comunicação.

o setes sombras, dário de amizades de pedro lomba revolve as amizades. esventra e escarafuncha. o resultado é de leitura recomendável para qualquer ser social. para os restantes confirma certas escolhas.

pedro lomba

wishlist

tenho que concordar com o senhor palomar e dizer que esta capa é bem catita. tão catita que segue para a tbr (to be read)

pois vai ser sim

fodido vai ser quando a ministra puser o Faial e o Caracol a correr atrás do Mário Nogueira.

pedro vieira

mas fodido mesmo é rir-me desalmadamente e perceber que esta referência faz todo o sentido. rever uma tarde a ler dois ‘uma aventura’ e ter o ‘uma aventura na escola’ como o meu favorito.

explorar os números

As visitas a este blogue aumentam à segunda-feira. Depois, vão diminuindo ao longo da semana. O que posso eu concluir? Que há quem chegue aqui esperançoso com novidades novas e verifica que é sempre a mesma vidinha entediante e absurda repetida à exaustão.

manuel a. domingos

vivam as primeiras chuvadas

o cheiro a naftalina marca mesmo a chegada do outono. dei-me conta disso ao ler a constatação da juliette. no meu caso a naftalina invade o meu campo olfactivo na forma dos idosos que, chegada a chuva, marcam consultas como se fossem morrer amanhã. mas o outono é positivo. o cheiro da naftalina é mais agradável do que o do suor acumulado ao longo de um dia de trabalho nas obras.

marcado na agenda.

mais ainda com a mudança de tempo e os ossos. oh! como eles se queixam

Esses dias acho que me dei conta da razão desse gosto tão grande não só por registrar o que ando pensando e o que acontece na minha própria vida, mas por guardar coisas (panfletos, papéis, guardanapos) sem valor que podem me lembrar de algum momento ocasião também sem tanta importância. Eu gosto de me lembrar. Já sei há muito tempo que sou nostálgica até os ossos(…)

fernanda

Slave! I have set my life upon a cast, And I will stand the hazard of the die.*

On January 3, 1889, Nietzsche, having spent his whole life stubbornly preaching the merits of what he called the will to power, witnessed a horse being beaten by its carriage driver on the Piazza Carlo Alberto in Turin, Italy. He cracked. He ran to the horse, threw his arms up around the horse’s neck to protect it, bursted into tears and collapsed to the ground. This collapse marks the outbreak of Nietzsche’s insanity. After this event the philosopher never wrote again and descended into madness and silence.

pedro zegre penim

*richard the third Act 5, scene 4, 7–10, shakespeare

e basicamente é isto meus caros.

E Roman Polanski não só violou uma miúda de treze anos, como também a drogou, confessou o crime e depois fugiu dos Estados Unidos a sete pés. Agora que foi preso na Suiça 32 anos depois, o mundo das artes reclama, indignado, uma atençãozinha especial, a liberdade incondicional e o perdão absoluto como se a condição de artista eximisse a qualquer escritor, realizador, cantor ou pintor de pacotilha de delinquir. Como se no fundo ser dono de um Oscar desse direito à absolvição, não importando a natureza ou aberração do crime, como se houvesse dois tipos de pessoas (as ungidas pelas musas da criação e o povão a quem a lei se deve aplicar por falta de amor ao cinema) artistas e cineastas, actores e ministros levantam a voz contra a América que dá medo (Mitterand dixit) e a Suiça que, vergonhosamente imaginem, se atreve a prender artistas.

rititi

nenhum?

creio que nem os mais pequenos e obscuros.

apetece-me uma leitura leve mas cheia de significados.

encontrado no what possessed me.

sei lá eu.

sim. os que trazem a placa de perigo parecem sempre mais interesante. depois dão-se voltas e voltas e o perigo é apenas uma noção e nada realista. passamos aos certinhos bem calçados e com fatos de bom corte. e sim, são absolutamente desinteressantes. o interesse por homens é sempre pautado por desilusões.

aprendemos alguma coisa entretanto?

desculpas em nome de sua magestade ficam sempre bem. porém os erros perduram.

só não me fazem sofrer horrores.

tenho sempre umas amizades muito intensas que depois, mais tarde ou mais cedo, levam ao afastamento total

clara

retratos

um retrato de um escritor favorito por estes lados. imaginava-o estranho mas, não sei bem porque, sabe-lo assim não parece ligar bem com a imagem mental. se calhar não imagino bem. agora que penso dois segundos acerca disso estou em crer que não imagino nada sobre os escritores. que vivam pelos seus livros não pelas suas vidas.

ironia certo?

Quanto à corrupção, talvez seja apenas um modo informal de distribuir incentivos pelas elites políticas, tradicionalmente mal pagas.

luís m. jorge

a ignorância é uma benção dizem.

então era isso que sentia.

Há uma altura no meio daquilo tudo (leia-se dos linguados e suspiros das duas) em que a Naomi Watts  sussurra ao ouvido da Laura Elena Harring: I want to, with you. Qualquer mulher de jeito tem que ficar um bocado amarfanhada com aquilo.

mónica marques

assim parece.

rdb

a edicção de setembro da rua de baixo já está no seu devido lugar. desta vez o olho esteve na galeria bar santa clara.

o vício.

a orgia literária no i. parece que ter namorada é algo de estranhar para quem lê. mais um bocado e diziam que sair de casa e saber o que é o sol. socializar.

ler-me nos outros*

coleccionar livros de uma forma obsessiva – isto é, criar em casa bibliotecas imensasé como casar com alguém apenas para conseguir levá-lo para a cama.

josé bandeira

*nesta necessidade de usar bibliotecas. mesmo as planetárias. mas é sempre impossível não regressar a esse casamento por interesse. e acumular pilhas e montes e pó. porque estão ali à mão e nunca se sabe. e descobri recentemente o prazer de sublinhar livros. acho que já não consigo voltar muito atrás.

ler-me nos outros

Qualquer dia, o bicho farta-se de ser bicho, faz as malas e parte mundo fora, em busca do paraíso distante. O dia-a-dia nesta terra é cruel, miserável. Nunca acontece nada, sabe tudo a pouco. Nem a subsistência está garantida. Nem um pãozinho seco. O bicho pensa muitas vezes em fugir. Qualquer dia, ganha coragem.

paulo rodrigues ferreira

wishlist

O Cartão Jovem estendeu a sua idade máxima para 30 anos. Trinta – anos. Que uma pessoa de 30 anos se ache «jovem» (ou seja, irresponsável, dinâmico, dependente) nada contra, há patologias psicológicas socialmente bem mais nefastas, mas que o sistema – perdoem-me, eu não sei quem faz o Cartão Jovem – incentive o estatuto ultrapassa a minha compreensão. Na verdade, eu não sei para que serve o Cartão Jovem: tudo o que sei é que é um cartão com um logotipo horroroso que dá descontos, mas não posso deixar de usar este dado como um sinal de que estamos todos perdidos. 30 anos, «jovem»? Cambada de incompetentes, chiça.

lourenço

rua de baixo : arte à parte

Uma associação é um conjunto de pessoas? E que faz um conjunto de pessoas em Coimbra em nome da Arte?

já está nas bancas electrónicas mais uma edicção da rua de baixo. mais umas palavras escritas pela menina. vão lá e sejam da rua.

alguns olham para o lado e enojam-se.

via fffound!

ler-me nos outros.

Há por aí um grupo de pessoas dedicadas a tecer loas a uns aparelhos muito modernaços que, segundo consta, servem para ler e são capazes de armazenar quatrocentos livros lá dentro. Não sei como é que estes indivíduos fazem para arranjar vagar para ler quatrocentos livros ou a que habilidades circenses se dedicam para conseguirem lê-los todos ao mesmo tempo. Eu só consigo ler um livro de cada vez e, se tivesse tempo para ler quatrocentos livros, preferia ir morar numa biblioteca.

m.j. marmelo

grandes tardes de sábado. ou era ao domingo?

Chuck Norris ordered a Big Mac at Burger King, and got one.

Chuck Norris has the greatest Poker-Face of all time. He won the 1983 World Series of Poker, despite holding only a Joker, a Get out of Jail Free Monopoloy card, a 2 of clubs, 7 of spades and a green #4 card from the game UNO.

chuck norris facts. porque sim. porque eu adorava o walker, o ranger do texas. porra. já não se fazem séries como antigamente. quem não se lembra da música do genérico?

In the eyes of a ranger,
The unsuspected stranger
Had better know the truth of wrong from right,
Cuz the eyes of a ranger are upon you,
Any wrong you do he’s gonna see,
When youre in Texas look behind you,
Cuz that’s where the rangers are gonna be

todos nós temos momentos assim. peço desculpa a mim mesma.


das redes sociais. também.

estava eu aqui deliciada a escrever coisas sobre essas malfadadas redes sociais e a pensar em apagar perfis e quejandos novamente, porque sim, porque o excesso é prejudicial e eu sou pelo minimalismo. a ver os meus feeds e lá vejo este post. macaca-grava-por-cima estou contigo. estes já os tinha visto. e na altura nem rir consegui. achei tudo demasiado trágico. porque algures, não muito longe, isto é verdade. não é uma piada.

(por respeito às 2/3 pessoas que leiem este blogue, e para não estranharem a sequência dos próximos dias, eu não faço posts em tempo real. não. quando tenho tempo, faço meia-dúzia de posts que ficam agendados para os dias seguintes. às vezes lá acontece fazer um tempo real. a tecnologia. é maravilhosa. e tão fria.)

das marcas que se mostram.

butt magazine

e nos comentários aquilo que não se vê.

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