Classé dans diário de uma mulher e de uma gata

sabemos que vivemos há demasiados anos sozinhos

quando dizemos em voz alta ” lolita és a gata mai linda deste lado da rua. e do outro lado também, vá!”

coisas que me fazem invejar a minha gata

dia internacional do animal

mesmo no fim deste dia dedicado a eles trago mais uma prova cabal em como estes dois são o meu ying e yang. um preto. a outra branca. um cão. uma gata. uma menina. outro um menino. uma ressabiada. um tolinho. em comum tem uma personalidade vincada. traços inegáveis que os fazem únicos. muitas gargalhadas à custa deles. muitos, imensos mimos. fins de tarde perfeitos e manhãs impossíveis. noites em branco e muitas palmadas porque se portam mal.

em comum também o terem sido adoptados. a apple pie do gatil municipal. o eirick kruder dos vizinhos da frente.

ter assistido o eirick tornar-se numa bola de 1 mês e um dia no pequeno bezerro que é hoje. a teimosia dele e a molha que apanhei na primeira vez que o fui passear. a aflição que foi vê-lo com a pata partida e a choramingar quando era pequeno. a cena absloutamente indiscritível com o miúdo à camões.

ver a apple florescer e tornar-se todos os dias uma gata a sério. vê-la agora gordinha e com um pêlo fofo como tudo e comparar com o primeiro dia aqui em casa. saber que sempre que abro a porta ela está lá para se roçar nas minhas pernas. acordar com ela a saltar para a cama e a cheirar-me a cara. rir-me sempre que ela decide correr desalmadamente pela casa porque sim, é divertido. não resistir a fazer-lhe festas sempre que está a dormir ao sol.

e por todos estes momentos e por todos os dias. pelas coisas extraordinárias que os fazem companhias únicas e amigos que acabam sempre por vir primeiro. ‘vou sim, mas tenho que levar o eirick. tadinho precisa de ir dar uma volta.’ ‘oh pá a palita já está em casa sozinha há tanto tempo. tenho que ir para casa.’

sempre que vejo um animal abandonado pergunto-me se as pessoas que o fizeram abandonariam um amigo na beira da estrada. ou um familiar num bairro longe de casa. se deixariam um filho para morrer à fome, atropelado ou doente.

nem todos os dias são fáceis com um animal de estimação. dias há em que eles são impossíveis de aturar. mas isso são dias. mas depois temos uma vida inteira em que a única coisa que nos dão são amor incondicional, razões para sorrir e muitos bons momentos.

se puderem adoptem um animal. é uma experiência única. se não puderem ajudem as associações que recolhem animais abandonados. um saco de comida. um medicamento qualquer. um pouco de tempo. os eiricks e as apples que não tiveram a sorte destes dois agradeçem.

i love the taste of everything

brevity | guy and rodd

é isso. apple pie deve andar apaixonada pelo sabor das coisas. de si, dos meus braços, dos pés, das mantas, do sofá, da carpete, da minha roupa. tudo de bom para ela mas gato que é gato têm um hálito demasiado marcante.

toda a roupa lavada. esse sim, é o sítio ideal para as sestas.

mark parasi | off the mark

a entrar no verão

as últimas semanas de primavera parecem ser difíceis. devo ter uma variante da gripe a. qualquer coisa recombinada, não mortal, mas chata. tenho febre frequentemente. desta vez juntou-se dor de ouvidos. até ver a otite não me veio visitar. já está atrasada a puta.

o cocktail de ontem incluía dor de cabeça, dor de ouvidos e febre. deitei-me antes do jantar portanto. com esperança de dormir para esquecer. boa ideia, fácil concretização. só preciso de escuro e silêncio. escuro e ainda é comó outro. já o silêncio. puta que pariu às circunstências. o eirick estupidamente a ladrar por debaixo da minha janela sabe-se lá porquê. a apple a miar desalmadamente na varanda por causa do cio. varanda que dá para a janela do meu quarto. e o meu sobrinho no andar de baixo, exactamente por debaixo do meu quarto a gritar durante horas a fazer birra porque não queria tomar banho. e depois dele a gritar os pais também.

desesperei. gritei meia dúzia de vezes ‘calem-se todos’. como se isso fosse adiantar de alguma coisa. ainda pensei em ir ao andar de baixo dar um par de estalos ao meu sobrinho. e em relação à apple, bem, só me apetecia arrancar-lhe todo o pêlo à estalada. têm o filho da puta do dia todo para miar mas só de noite é que mia quem nem uma estúpida. e só vai miar quando vou para a cama. se estiver até às 6 da manhã na sala aquela puta ressabiada nunca abre a boquinha para miar o quer que seja. já é a quarta noite que não me deixa dormir. mais um dia de febre com ela a miar e acho que lhe abro a porta da rua e ela que vá à vida.

oh i wish. hard.

off the mark | mark parasi

pudesse eu escolher entre ter pêlo de gata ressabiada por todo o lado e não estou capaz de achar que não demorava muito a escolher.

sempre que olho para a apple pie penso em tempo livre.

ESPREGUIÇAR-SE E ANDAR: Acho fascinante a graciosidade com que os gatos se espreguiçam em andamento, como quem procura poupar tempo conjugando dois gestos independentes. E se há coisa que não falte aos gatos é tempo livre.

alexandre andrade

diário de uma mulher e uma gata

apple pie decidiu repetir a façanha de há uns tempos atrás. escapou-se. e enquanto pousava as natas e o pão e pensava que se calhar era melhor levar as chaves não fosse ficar fechada na rua como há uns tempos e me preparava para correr atrás dela bairro a fora a pedir por amor de deus para ela não ir para sítios que não lembra ao diabo de férias eis que a vejo a correr pela porta adentro e a olhar para mim assustada. tinha passado o autocarro à frente de casa. e entre morrer com umas toneladas em cima e as mantas fofinhas, o comer e a escova…ela voltou. até porque agora tem uma escova e agora é oficialmente a puta da loucura.

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